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I Corrida e Caminhada Contra o Trabalho Infantil acontecerá no dia 9 de junho

Um evento inédito movimentará Franca no próximo dia 9 de junho: a I Corrida e Caminhada contra o Trabalho Infantil. O evento, realizado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, Ministério Público do Trabalho, Programa de Combate ao Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Franca, Tribunal Superior do Trabalho e Conselho Superior da Justiça do Trabalho, com apoio da 13ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil de Franca, visa sensibilizar e informar a população sobre os malefícios do trabalho precoce, que ceifa vidas e impede que crianças adolescentes rompam o ciclo da pobreza e tenham oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional.

 

A I Corrida e Caminhada contra o Trabalho Infantil está sendo organizada pela Personew e a data do dia 9 de junho foi escolhida por abrir a Semana Mundial de Combate ao Trabalho Infantil. Haverá Corrida Kids (às 10h), Corrida Individual de 5K e 10K e Caminhada de 5K, no Complexo Poliesportivo de Franca.

 

Juíza do Trabalho, professora universitária, mestre em Direito pela Unesp Franca, doutora em Direito do Trabalho pela Sapienza Università di Roma – Italia e com licenciatura em Filosofia pela PUC de Belo Horizonte, a francana Eliana dos Santos Alves Nogueira é uma das idealizadoras do projeto e dá mais detalhes sobre a I Corrida e Caminhada contra o Trabalho Infantil abaixo. Confira:

 

Como surgiu a ideia de realizar a primeira edição da Corrida e Caminhada contra o Trabalho Infantil? A ideia é disseminar a cultura de que o Trabalho Infantil é uma chaga social, que perpetua a pobreza e exclui crianças pobres da escola, considerando-se que apenas crianças e adolescentes pobres ingressam precocemente no mercado de trabalho. Temos estatísticas que mostram que, na nossa cidade, quase metade dos adolescentes com idade entre 15 e 16 anos já se encontram trabalhando, bem como o índice de evasão escolar no ensino médio é altíssimo, atrelado aos baixos salários pagos aos trabalhadores no município, dentre os menores do Estado de São Paulo. Assim, combater o trabalho infantil significa o desejo de melhoria dos indicadores sociais do nosso município, com a permanência de crianças e adolescentes no âmbito escolar, com a inserção adequada de adolescentes no mercado de trabalho através do contrato especial de aprendizagem. Apenas tais iniciativas podem garantir um futuro digno para nossas crianças e adolescentes. Devem estar trabalhando os pais e pessoas com idade adequada. Importante frisar que o desemprego que assola o mundo todo e inclusive nossa cidade é outro fator que não permite, de modo algum, defender o trabalho precoce. Se não temos trabalho para os adultos, porque mandar as crianças e adolescentes ao trabalho? A única resposta é a exploração desta mão de obra. Por isso precisamos dizer NÃO ao trabalho infantil. 

Como será o evento? Além da corrida e caminhada, haverá outras atrações? Teremos uma grande manhã de lazer no Poliesportivo de Franca. Temos vários apoiadores que estarão conosco com atividades diversas para todos os presentes. Estamos finalizando os últimos contatos quanto às atrações que ali se farão presentes. 

Como se inscrever para participar do evento? As inscrições estão feitas pelo site personew.com.br

Ainda dá tempo de empresas interessadas patrocinarem o evento? Claro! Para auxiliar com o evento basta fazer contato com a Comissão de Direito do Trabalho da OAB ou pelo telefone (16) 3711-6921.  

Há números relativos a casos de trabalho infantil registrados em Franca? Sim. Os últimos dados do PNAD de 2010 indicavam um grande número de trabalhadores em idade inferior à permitida, principalmente de adolescentes trabalhando em contratos de trabalho irregulares, fora da aprendizagem. 

A cidade possui um alto índice de aprendizes iniciando sua vida profissional. Há ações específicas visando aumentar esses números e ações nas empresas? Houve uma sensível melhoria do número de contratos de aprendizagens na cidade, a partir de ações coordenadas levadas a efeito pela Superintendência Regional do Trabalho (antigo Ministério do Trabalho e Emprego), do Ministério Público do Trabalho, do Juizado Especial da Infância e Adolescência da Justiça do Trabalho em Franca, da Defensoria Pública Estadual, bem como de toda a rede de proteção atualmente participante do Fórum Municipal de Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente de Franca, sediado no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Hoje a cidade cumpre cerca de 70% da cota de aprendizes, enquanto a média nacional e estadual gira em torno de 30% a 40%.